Quem vai para o laboratório colher sangue para exames pode ter a impressão de que as cores dos tubos de coleta são mera decoração, para distrair quem tem medo ou para quebrar a formalidade do procedimento.
Nada disso: há uma razão para os profissionais de saúde organizarem os tubos com tampas de cores diferentes: roxo, vermelho, amarelo, cinza e azul. Em vez de uma mera escolha estética ou aleatória, a paleta sinaliza uma engenharia química rigorosa necessária para a precisão do diagnóstico.
De acordo com a endocrinologista Maria Helane Gurgel, diretora médica dos laboratórios Sérgio Franco e Bronstein, da Dasa, no Rio de Janeiro, cada cor de tampa indica um aditivo específico dentro do tubo, preparado para preservar o sangue da maneira exigida em cada teste.
“O sangue é como um tecido vivo e supersensível. Assim que sai do corpo, ele começa a mudar quimicamente. Para medir a glicose com exatidão, usamos aditivos que impedem as células de ‘consumir’ o açúcar”, exemplifica.
“Já para o hemograma (exame das células do sangue), evitamos que ele coagule. Esses aditivos previnem erros na coleta, que causam entre 60% e 70% dos problemas em exames de laboratório, de acordo com o Instituto de Padrões Clínicos e Laboratoriais” (CLSI, na sigla em inglês), explica Gurgel.
“As cores das tampas formam um código simples e universal, garantindo que o reagente certo chegue à amostra certa, sem erros ou complicações”, completa.
Cada cor é um guia rápido para a equipe técnica. Sheila Argolo, gerente do Núcleo Técnico-Operacional (NTO) da Dasa no Rio de Janeiro, detalha as funções mais comuns:
“A precisão começa antes mesmo da análise nas máquinas. Se o sangue for colhido no tubo errado, a reação química é comprometida, e o resultado pode ser alterado. Por isso, a padronização visual é uma das etapas mais importantes da segurança do paciente”, afirma Argolo.
De acordo com a 10ª edição do Panorama da Saúde Suplementar, publicada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) no final de 2025, o setor atingiu a marca histórica de 53,2 milhões de beneficiários em planos médico-hospitalares.
Os exames laboratoriais e de imagem continuam a ser a porta de entrada e o principal volume do setor, representando cerca de 60% de todos os procedimentos realizados na saúde suplementar. Só em 2024, segundo a 7ª edição do Painel Abramed, foram realizados mais de 970 milhões de exames de análises clínicas, um crescimento 17,3%.
Esse aumento na demanda reforça a importância da eficiência operacional nos laboratórios. “Com mais de 53 milhões de pessoas utilizando o sistema suplementar, a precisão na coleta e no processamento dessas amostras, simbolizada pelas cores dos nossos tubos, é o que garante a sustentabilidade, a segurança operacional e a confiança em todo o ciclo de cuidado”, finaliza Maria Helane Gurgel.
